“Com o título do livro de Doherty identificando claramente o ‘verde’ como seu assunto, não é surpresa que não apenas essa cor particular — verde — mas a cor em geral seja uma base teórica do livro e potencialmente sua contribuição mais inovadora.”
Landscape Review
Natureza, cidade e cultura se entrelaçam
Paradoxos do verde, de Gareth Doherty, nos convida a olhar para a cor como algo além do espectro visual. No Bahrein, onde a vegetação verde contrasta com a aridez do deserto, o autor revela como o verde se torna símbolo de prosperidade, desejo e disputa. A partir de uma abordagem multidisciplinar que une paisagismo, etnografia, arquitetura e política, o livro questiona o que de fato significa tornar uma cidade “mais verde” — e se isso, em todos os contextos, é realmente desejável.

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Além da estética: cor, política e ecologia em debate
Esse olhar crítico e ampliado dialoga diretamente com outros títulos da Olhares. Em Como ler uma árvore, Tristan Gooley ensina o leitor a observar sinais sutis da paisagem natural — galhos ausentes, cascas rachadas, folhas manchadas — como vestígios de tempo, clima e história. Se Doherty redesenha o mapa de uma cidade distante em busca dos sentidos de uma cor, Gooley nos dá ferramentas para interpretar a árvore como um mapa.

Também em A vida das árvores, Francis Hallé nos apresenta à inteligência silenciosa das florestas, onde cada folha cumpre uma função vital em sistemas interdependentes. Doherty, por sua vez, mostra como esse mesmo verde, quando transposto de forma artificial e massiva para regiões áridas, pode se tornar um verde insustentável.

Os livros Remanescentes da Mata Atlântica e Paisagismo sustentável para o Brasil, de Ricardo Cardim, reforçam esse campo de reflexão: o que escolhemos plantar, manter e valorizar em nossos territórios revela muito sobre como entendemos a natureza — e como nos posicionamos frente a ela. O “verde” não é absoluto, e nem necessariamente neutro, o que Paradoxos do verde deixa evidente.

Investigar o paisagismo em um país desértico deu a Gareth Doherty a oportunidade de evidenciar, em condições extremas, as relatividades do discurso ecológico. Paradoxos do verde é um convite a refletir de forma multidisciplinar e complexa sobre a paisagem, e se junta agora a uma rede de vozes que pensam a natureza com profundidade, cuidado e inquietação na Olhares.


