Daido Moriyama: como eu faço fotos de Takeshi Nakamoto

“A primeira coisa que eu sempre digo a qualquer pessoa que me pede um conselho é: vá para a rua.”
Daido Moriyama

Neste livro, o lendário fotógrafo japonês Daido Moriyama é acompanhado por Takeshi Nakamoto em uma série de passeios fotográficos. O objetivo é apresentar ao leitor, a partir do diálogo com Daido e das imagens que ele produz nessas ocasiões, sua forma de fotografar e de pensar – e de viver – a fotografia.

Justamente por subverter os manuais de como produzir boas imagens, deixando-se guiar pelo instinto, Daido tornou-se um ícone da fotografia contemporânea. Seu trabalho é emblemático da fotografia de rua enquanto expressão pessoal e como espelho de uma filosofia de vida – para ele, a fotografia é um processo quase inconsciente, em que não tem objetivos prévios e simplesmente registra, de forma instantânea, o que lhe chama a atenção, apostando no acaso e na força espontânea das imagens. “Essa é a essência de fazer foto instantânea das ruas das cidades: registrar o estranho e o desconhecido.”

“Moriyama evita preconceitos em relação à fotografia instantânea e tem uma aversão similar a regras, padrões ou práticas convencionais em qualquer área da vida. Você poderia dizer que, para ele, o único critério é que não deveria haver critério. E quando o assunto é fotografia, Moriyama não vê sentido algum em muitas coisas que geralmente são consideradas senso comum.”
Takeshi Nakamoto

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Há mais de 50 anos, e mesmo nos últimos tempos, já octogenário, Daido sai para fotografar todos os dias com sua pequena câmera automática. De forma impulsiva, faz dezenas de fotos a cada 100 metros que percorre. Em um momento, se vira e retorna pelo mesmo caminho. Muitas de suas imagens são capturadas de maneira apressada e ele frequentemente fotografa em movimento, sem olhar pelo visor, utilizando ângulos inusitados e cortes bruscos para reforçar o aspecto caótico das ruas.

Cada um dos cinco capítulos do livro é dedicado a uma locação, com foco em aspectos complementares do processo criativo de Daido. Em Sunamachi, bairro tradicional de Tóquio, a rua é utilizada e sugerida como campo de treinamento para capturar a vida cotidiana. Tsukudajima, reduto turístico da capital japonesa, é um local que Daido costumava evitar, e ali ele se depara com aspectos do próprio percurso enquanto captura instantâneos à beira-mar. Em Ginza, ele, que até então era reconhecido por preservar o uso de filmes, utiliza pela primeira vez uma câmera digital, e diz não se importar com a mudança. “Eu sempre disse que não importa o tipo de câmera que você está usando… Então o que faz as câmeras digitais serem diferentes?”

No Aeroporto de Haneda, ele debate com seu interlocutor o “cartão-postal” e busca por imagens áridas como aquele ambiente, para representá-lo. “Esse tipo de fotografia meio enfadonha me parece que expressa a ‘essência’ do Haneda de maneira eficaz – como é estar aqui.”

Por fim, a dupla pega a estrada por alguns dias para revisitar uma prática antiga – e esquecida – de Daido, de fotografar através da janela de um carro, o mundo em movimento. “Tem coisas que você só vê quando está se movendo em velocidade.”

No livro, Daido compartilha insights sobre suas câmeras favoritas, sua relação com o preto e branco e a importância de andar pelas ruas sem um destino fixo – apenas observando e fotografando. Se você gosta de fotografia de rua ou quer aprender mais sobre o estilo ousado e experimental de Daido Moriyama, este livro é uma leitura essencial.

“Você não vai desenvolver um olhar crítico a menos que refine sua habilidade de dar sua atenção por inteiro a algo.”

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